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De onde vêm as ideias

O percurso guiado aproxima tradições filosóficas e relacionais que escreveram sobre narrativa, memória e identidade. Aqui estão as fontes, como elas aparecem ao lado do seu texto e os limites desta seleção.

Um catálogo situado, não um mapa universal

Esta versão foi escrita em português do Brasil. O percurso guiado nasceu de uma pesquisa brasileira com pessoas adultas e ensino superior; isso é uma origem e um limite, não a definição de quem pode usar o app. Traduzir as palavras não bastaria para transportar a experiência: exemplos, formas de participação, referências, voz, privacidade e apoio precisam ser adaptados e testados em cada contexto.

A seleção também é desigual: várias tradições europeias aparecem por autores individuais, enquanto Ubuntu entra como referência coletiva. Nomear essa assimetria é mais honesto do que apresentar oito nomes como cânone completo. As lentes organizam perguntas dos percursos; não representam todas as tradições nem classificam quem responde.

Quem paga nesta fase

Na fase atual, participantes não pagam para usar o produto. A empresa subsidia os custos da operação. Isso descreve o presente e não cria promessa sobre preços futuros.

As oito constelações

  • O si no tempo

    Paul Ricoeur

    Como continuar sendo alguém quando se muda?

  • O si em conversa

    Hans-Georg Gadamer

    O que só se torna compreensível quando outra voz entra?

  • O si em experiência

    John Dewey

    O que você aprende sobre si ao agir e observar consequências?

  • O si que pergunta e transforma

    Paulo Freire

    Quando narrar-se também se torna uma forma de ler e transformar o mundo?

  • O si opaco e responsável

    Judith Butler

    Como responder por si sem fingir transparência total?

  • O si como prática

    Michel Foucault

    Escrever sobre si apenas revela uma identidade ou também a produz?

  • O si em fragmentos

    Walter Benjamin

    O que um objeto, uma cena ou uma lembrança incompleta consegue transmitir?

  • O si em relação e pluralidade

    Ubuntu e narrativas plurais

    Quem pode narrar, e diante de quem?

As fontes catalogadas

89 obras catalogadas, 35 com texto integral obtido por via legítima.

  • sem licença declarada 74
  • CC BY 6
  • CC BY-NC-ND 4
  • uso pessoal 4
  • CC BY-NC-SA 1

Como as fontes aparecem no produto

O percurso principal traz perguntas escritas pela equipe; nenhuma obra é distribuída integralmente. Quando você marca um trecho do que escreveu e pede uma passagem relacionada, a busca pode devolver recortes breves das fontes catalogadas. Cada recorte aparece com obra, autoria, localização, licença e link para a fonte.

Boa parte das obras catalogadas é comercial e protegida por direito autoral. Elas sustentam o repertório das perspectivas, mas não são redistribuídas. Para citar academicamente, confira a edição indicada, não apenas o recorte.

O que a devolução nunca faz

Quando você marca um trecho do que escreveu e pede uma passagem relacionada, o que volta é escrito por uma máquina a partir das passagens encontradas. As regras abaixo não são um compromisso de boa vontade: cada uma delas é conferida no código antes de a devolução chegar à sua tela, e a devolução que quebra qualquer uma é recusada — no lugar dela chega um convite de continuidade escrito por gente.

  • Nada na devolução tem quem lê como sujeito. Ela não afirma o seu estado, não conclui o que se passa por dentro e não devolve pergunta com o diagnóstico já embutido.

    Como conferir lendo a resposta: procure a palavra “você” seguida de um verbo de estado — “você é”, “você sente”, “você precisa” — e as perguntas que começam por “será que você”. Não pode existir nenhuma. “Você escreveu”, seguido das suas palavras entre aspas, é o contrário disso: é citação, e pode.

  • O que você escreve não vira prova sobre quem escreveu. O texto volta entre aspas, como palavra sua, e nunca como sintoma, padrão ou defesa.

    Como conferir lendo a resposta: veja de quem é o interior de que a frase fala. Se aparecer “seu” ou “sua” colado a trauma, medo, padrão, processo ou defesa, a regra foi quebrada — e o mesmo vale para “isso significa” e “no fundo”.

  • A máquina não fala de si e não manda ninguém reparar em nada.

    Como conferir lendo a resposta: procure “percebo que”, “vejo que”, “repare que”, “note como”. Não pode existir nenhuma.

  • Toda passagem chega com a fonte marcada, e a primeira fonte aparece já na primeira frase.

    Como conferir lendo a resposta: conte os números entre colchetes — [1], [2] — e confira que o primeiro deles está na primeira frase, não no fim.

  • A devolução termina numa pergunta.

    Como conferir lendo a resposta: leia a última linha. Ela termina com “?”.

  • Nenhuma frase comenta a busca, o acervo ou o próprio limite da máquina.

    Como conferir lendo a resposta: procure frases sobre o aparato: “o corpus não alcança”, “as passagens não dizem”, “não posso decidir”, “vale notar”. Não pode existir nenhuma.

A mesma régua vale para o texto escrito por gente. Ela alcança a devolução escrita pela máquina, a tarefa do caderno que chega quando a devolução não vem e a etiqueta que diz de onde o texto veio — e não só a saída da máquina. Uma régua que valesse apenas para a máquina deixaria o produto livre justamente na hora em que a resposta não veio, que é quando quem escreve está mais exposto.

A conferência acontece em momentos diferentes, e a diferença importa: a resposta da máquina é recusada na hora, uma por uma; o texto escrito por gente é conferido antes de entrar no produto, e uma frase que quebre a régua impede a publicação.

Onde a garantia termina. Estas intenções editoriais para a devolução da máquina não têm verificação nenhuma hoje: o tamanho da devolução — o caderno pede dois a quatro parágrafos curtos, e nenhuma verificação conta parágrafo, que a pergunta do fim seja feita com as palavras que você escreveu — a verificação cobra o “?”, não de quem são as palavras, que o sujeito de cada frase seja um autor, uma obra ou uma coisa do mundo — a verificação procura as formas em que a máquina fala por si, e não analisa sujeito e a ordem da fonte depois da primeira frase — ali a verificação para, porque cobrá-la em todas reprovaria a continuação de um parágrafo que já foi atribuído. Elas estão escritas aqui como o que são — intenção editorial, não garantia. Prometê-las na mesma lista das de cima seria pedir que você acreditasse que o texto e o código nunca vão divergir.

E o que ela não alcança.

  • esta verificação é de forma e de vocabulário, não de sentido: uma frase que diga a mesma coisa sem as palavras que ela procura — “Está com medo de parar”, sem sujeito — passa por ela.
  • a tarefa do caderno que chega quando a devolução não vem termina com uma pergunta já formulada, em vez de pedir que você escreva a sua. A régua que proíbe a máquina de pôr palavra na sua boca não alcança essa linha, e ela ficou assim por decisão.

O instrumento

Versão 0.3.0, digest c59fe36f4c312bf5. O digest viaja no seu meus-dados.json, para que o mapa daquele capítulo continue calculável quando as regras forem revisadas. Perguntas e demais textos históricos ainda não fazem parte desse snapshot. Como as lentes são ordenadas: cada resposta vale de 0 a 4; “prefiro não responder” sai da conta em vez de contar como zero; frases invertidas pontuam ao contrário; e uma constelação só aparece no mapa com pelo menos três frases respondidas.

A interface não mostra percentuais, faixas nem perfil. Com três itens por lente, esses números criariam uma precisão que o método ainda não sustenta; servem apenas para ordenar perguntas de releitura. A ordem não deve ser comparada entre idiomas ou contextos culturais.

As lentes são um recurso exploratório para ordenar perguntas de releitura. Não são escala validada, perfil, diagnóstico nem instrumento de avaliação. O recorte de 24 frases distribui itens invertidos de modo desigual: quatro das oito lentes não têm frase em direção contrária. Estilos de concordância podem alterar a ordem, que não deve ser comparada entre pessoas, grupos, idiomas ou contextos culturais.
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